O Regresso de Al-Aqsa ao monoteísmo puro

Por duas vezes, a liberdade de praticar a religião monoteísta foi retirada dos habitantes de Al-Aqsa. A primeira quando os Babilónios, sob o comando de Bukth-e-Nasar (Nebuchadnezzar) quando destruiu a mesquita, queimou as cópias de Taurat (Torah), matou milhares de eruditos e aprisionou os restantes na distante Babilónia (Iraque).

Pela segunda vez, foi quando as Cruzadas invadiram Al-Aqsa durante o Califado Abbássida, matando de tal maneira os habitantes ao ponto de o sangue chegar à altura dos joelhos dos cavalos dos invasores.

Se ponderarmos acerca das situações descritas acima, apercebemos que contra todas as probabilidades, apesar do poderio financeiro e militar do inimigo, levou menos de 100 anos para Al-Aqsa regressar ao monoteísmo puro devido à sinceridade e devoção das pessoas.

Em relação ao primeiro dos dois acontecimentos:

Allah enviou Bukht-e-Nasar da Babilónia contra Bani Issráil. O seu exército matou milhares deles e expulsou os restantes transformando a cidade em ruínas. (Ibn Atiyya)

Quando Nabi Uzair A.S. passou por lá, exclamou tristemente:

"Como é que Allah dará vida a este lugar após isto!?"

Para provar que Uzair A.S. estava errado e para manter a religião verdadeira viva, apesar de parecer impossível, Allah deu uma morte 'temporária' a Uzair A.S. durante 100 anos. Quando ele finalmente abriu os olhos, viu que a cidade estava a fervilhar de vida e praticando a religião livremente.

Allamah Ibn Kathir narrou que Allah iniciou a reforma de Al-Aqsa setenta anos após a sua destruição e repopulou a cidade trinta anos depois, quando Uzair A.S. acordou do seu sono profundo.


Quanto às Cruzadas... eis a história

As cruzadas foram mencionadas pela primeira vez em 1078 (471 de Hijrah) pelo Papa Urbano II com base no argumento de que os cristãos estariam a ser atacados no caminho de Jerusalém, os cristãos de Este estavam a ser perseguidos pelos muçulmanos e igrejas e mosteiros estavam a ser destruídos - argumentos que mesmo os cristãos actuais acreditam não ter fundamento.

Todas as igrejas vibraram com este chamamento, não por concordarem mas sim porque durante os últimos 100 anos a igreja tinha vindo a sofrer ataques de um lobby judaico que estava a operar em nome dos 'cavaleiros templários'.

 Em 1095 (488 A.H.) o Papa Urbano II fez o famoso discurso em Clermont (França) que incentivou o movimento das Cruzadas:

'Oh raça dos Francos, Oh raça escolhida por Deus, desde Jerusalém a Constantinopla algo terrível está a acontecer, nomeadamente uma raça amaldiçoada e afastada de Deus, transgrediu e espalhou o Mal pela terra. Eles destruíram os altares, roubaram as igrejas destruindo-as e queimando-as.

Avancem em nome do sepulcro do nosso senhor Jesus Cristo que está na posse de uma nação impura. Esta terra é muito estreita para a vossa larga população (ver nota ao lado). A cidade chora por vós e pela vossa ajuda. Levantem-se e vão salvá-la!'

Trezentos mil soldados responderam ao chamamento e partiram para Shaam. O que deu sucesso à Primeira Cruzada não foi o tamanho do exército - 10 000 cavaleiros e 30 000 soldados eram uma força poderosa, mas os muçulmanos poderiam fazer frente. No entanto, os Cruzados beneficiaram da ameaça Xiita vinda do Egipto e Pérsia que cercaram os muçulmanos de Damasco. A preocupação dos muçulmanos em relação aos Xiitas permitiu ao exército cristão espalhar-se ao longo da costa Mediterrânica.

Nota: Para os Cruzados, a invasão de Shaam e Al-Aqsa nunca foi uma questão religiosa. Foi uma oportunidade proporcionada pelos Papas e líderes para se apropriarem de terras e riqueza e viverem como reis. O objectivo central da invasão era apenas conhecido pelos cavaleiros templários, força que tinha penetrado na igreja e controlava o clero, apenas para tornar essa invasão possível. Logo após a invasão de Al-Aqsa, os templários entraram no recinto da sagrada mesquita e iniciaram uma operação de escavação que durou cerca de dez anos.

A invasão das Cruzadas foi de tal maneira rápida que, no espaço de 40 anos 4 grandes reinados se estabeleceram na Terra Sagrada: Antioquia, Edessa, Tripoli e Jerusalém.

Se perguntássemos a alguém no ano 510 A.H. se havia alguma esperança de reviver o Islão, a resposta seria provavelmente na negativa, uma vez que não havia nenhum poder suficientemente forte para confrontar esta rede de inimigos, i.e., os Cruzados; o inimigo a operar internamente sob o nome de Templários e o maior inimigo de todos, ou seja, os Xiitas disfarçados de muçulmanos.

No entanto, quando as esperanças se desvaneciam e quando tudo parecia perdido, num momento em que as forças Xiitas controlavam grande parte dos centros islâmicos e a sua linha de pensamento e ideologia se espalhavam como fogo; quando os Cruzados controlavam os recintos de Al-Aqsa e Shaam, algo de formidável aconteceu...

Foram necessários apenas setenta anos para o Islão ripostar contra as forças inimigas e regressar ao seu esplendor, eliminando os inimigos Xiitas, expulsando os Cruzados das terras de Shaam e livrando-se dos Templários.

Allah quis que isso tudo acontecesse nas mãos de um gigante do Islão. Esse gigante seria nada mais nada menos que Yussuf ibn Ayub, mais conhecido como Salahuddin A-Ayyubi R.A..

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